
Os crentes mais puristas querem afastar todas as influências pagãs do Natal, mesmo sabendo que após essa “limpeza” não restará muita coisa, se é que restará algo. Sempre há essa tendência de querer “limpar” e na ânsia de tirar todo o joio da cristandade esses puristas acabam tirando muito trigo também. Mas a boa notícia é que uma “limpeza” completa é simplesmente inviável.
O Natal cristão continuará sendo pagão. Que bela notícia! O recém-nascido mostrou que a vida deve ser mais valorizada do que as leis, dogmas ou uma suposta pureza. O recém-nascido mostrou que a fé cristã supõe vulnerabilidade, generosidade e fraqueza. Excluíram muita coisa da fé cristã, da Bíblia e dos ritos, incluíram algumas bobagens; mas muita coisa permaneceu por descuido dos religiosos e dos poderosos.
Os religiosos e os poderosos esqueceram de tirar dos evangelhos as cenas em que os poderosos são humilhados e os humildes são exaltados (cf. Lc 1.52; 14.11; 18.14), em que os maiores são os menores e os menores são os maiores (cf. Lc 9.48), em que há perdão e cura, em que a vida é mais valorizada do que as leis e dogmas - e por isso a desobediência se faz necessária também (cf. Lc 6.1-11; 13.10-17; 14.1-6; 15.1-2; 16.14-15; 20.1-19; entre outros). Os religiosos e os poderosos esqueceram de tirar dos evangelhos a sátira, o deboche, a piada. Como pensar que Herodes, um governante inescrupuloso, sentiu-se ameaçado no seu poder por um recém-nascido e não rir?



2 comentários:
gostei do texto ;)
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