
Em 2011, um sentimento de que fizemos tão pouco ou quase nada para aliviar a dor de alguém. Um sentimento de que deveríamos ter abraçado mais as pessoas, principalmente aquelas que não valem nada para a nossa sociedade.
Quantos seres humanos extraordinários foram e continuam sendo descartados? Estivemos numa comunidade, na periferia do Rio de Janeiro, comandada pelos meninos do tráfico. Nunca vimos tanta droga num mesmo lugar. Lá havia uma cracolândia imensa. Choramos muito ao ver os jovens viciados em crack. Ajudamos alguns membros e a pastora de uma igreja evangélica a distribuir sopa para os viciados. Abraçamos alguns e ouvimos algumas histórias.
É fácil culpar aqueles meninos do tráfico que tiram uns mil reais por semana, aqueles meninos que são alguém quando estão com suas motos portando fuzis. É fácil, do nosso “mundinho-classe-média-paulista”, defendermos que os militares precisam matar todos os traficantes. Aquela cena, de novembro de 2010, dos meninos fugindo da Vila Cruzeiro no Rio de Janeiro não sai da cabeça de muitos. “Por que não mataram todos?” – esse senso comum da classe média esquece que a morte daqueles meninos não mudaria nada. Nós não precisamos dessa repressão burra da PM ou do idolatrado BOPE. Uma investigação apurada verá que os grandes traficantes nunca passaram nem perto dessas periferias. Três tipos de instituições, entre outras, alimentam o tráfico de drogas: as indústrias armamentistas, as indústrias químicas e os bancos. Quem fornece as armas para os meninos? Quem fornece os componentes químicos das drogas? Como é feita a movimentação do dinheiro?
Já temos evangélicos, e outros cidadãos, de sobra, que continuam culpabilizando e condenando viciados, traficantes, homossexuais, prostitutas, mulheres em geral, crianças, negros, quilombolas, indígenas, pobres, migrantes, imigrantes, moradores de rua, sem-teto, sem-terra e outros seres humanos “desqualificados”. Não queremos dizer que estes “desqualificados” são melhores e possuem uma suposta essência cristã. Mas duvidamos que a defesa de uma moral puritana, que valoriza os que oram mais e lêem mais a Bíblia e supostamente “pecam” menos, esteja realmente dando vazão ao propalado “agir de Deus”. Acreditamos que podemos aprender sobre o cristianismo com estes "desqualificados" e até mesmo com os adeptos de outras religiões, ateus ou agnósticos.
Neste fim de ano, no dia 23, tivemos a oportunidade de participar da festa dos Amigos da Maloca (ver: http://www.amigosdamaloca.com/), aqui em São Paulo, juntamente com diversos moradores de rua. Tivemos a oportunidade de sair novamente do nosso “mundinho”, ouvir e abraçar o Jaime, a Dona Linda, o Pé-de-pano, outros e outras. Em 2012, queremos continuar aprendendo com estes e outros “desqualificados”.
Quando a dignidade de um ser humano é desrespeitada, toda a humanidade também é desrespeitada. Enquanto a moral puritana afirma que o indivíduo “pecador” (conforme os seus critérios) é um ser humano de segunda categoria, diversas partes dos evangelhos narram cenas em que os poderosos são humilhados e os humildes são exaltados, em que os maiores são os menores e os menores são os maiores, em que há perdão e cura, relações em que a vida é mais valorizada do que as leis e dogmas.
Em 2012, Jesus quer ensinar lições preciosas através dos “desqualificados”. Em 2012, que possamos aprender lições preciosas com os “desqualificados”.
Fonte da foto: http://sul21.com.br/jornal/2011/09/ciclistas-fazem-farofada-no-mercado-publico-de-porto-alegre-veja-as-fotos/



1 comentários:
Que 2012 seja um ano de outros sentimentos:bondade,gratidão,respeito,amor,ternura...tudo em excesso e infinitude...
Que com eles possamos trazer o Reino assim como foi pedido a mais de 2000 anos...
Que em 2012 as palavras do profeta urbano ''gentileza gera gentileza'' seja realidade em nossas atitudes em cada oportunidade...
Mas as oportunidades não surgem,nós aa criamos,portanto que cada um de nós se permita a ver a Deus cotidianamente pois Ele está presente no olhar de cada pessoa que atravessa nosso caminho,pois com ELe aprendemos que sozinhos não somos nem nós mesmos.
feliz 2012
Du
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