Junho 25, 2011

Distúrbios Sociais zine: quatro anos de blog

Completamos, no próximo dia 29, quatro anos de blog e noventa e uma postagens. A proposta inicial era divulgar nossos textos na mesma linha da versão impressa do aperiódico Distúrbios Sociais zine. Lembramos que foram dez edições impressas: #1 (1999), #2 (2000), #3 (2001), #4 (2002), #5 (2003), #6 (2004), #7 (2005), #8 (2006), #9 (2007), e #10 (2008), e lançamos o debut-cd Guerra sem fim? (2005) da banda Ressurreição. Não podemos deixar de mencionar os amigos e amigas que colaboraram em diversos momentos: Fábio (que deu o nome ao zine), Mariana, Sérgio, Ricardo, Elvis, Anderson Gordo, Marcos Paulo, Ricardo Júnior, Tabita, Gabriela, Alex, Abel, entre outros. Entrevistamos alguns líderes evangélicos: Sandro Baggio na #1, Antônio Carlos Batista na #3, Jorge Camargo na #4, Robinson Cavalcanti na #5, André Nguina Quiala na #6, Irmão André (Portas Abertas) na #7, Caio Fábio na #8, Bráulia Ribeiro na #9, e Ariovaldo Ramos na #10.

Alguns de nossos textos que foram publicados na versão impressa também estão postados no blog: o texto Deus está morto ou você está vivo? saiu na edição #5, o texto Nações e raças são como vácuo na #6, o texto “Destruam a Igreja!!” na #7, o texto É proibido não querer sexo? na #8, o texto Aborto: sim, não, depende, não sei na #9, e o texto Teologia da Pro$peridade na #10.

Acreditamos que o zine nunca foi um veículo despretensioso, por trás dele esteve presente, consciente ou inconscientemente, um empenho proselitista. Queríamos converter as pessoas, especialmente da cena grind-punk-hardcore e underground em geral, ao nosso ideal de cristianismo. Distribuimos os zines, panfletos e divulgamos as bandas e comunidades cristãs, mas fomos contaminados (no bom sentido) pelos não-cristãos. Recebemos diversos materiais não-cristãos e começamos a divulgá-los também, sendo que na edição #10, com uma ou outra exceção, nenhum material resenhado é de cunho cristão ou religioso. Aumentamos a cada edição o número de materiais divulgados, mas continuamos defendendo uma certa moral cristã nos textos e entrevistas. Adotamos uma posição incômoda e paradoxal.

Mudamos. A mudança foi progressiva e aos poucos. Acho que essa mudança se deve principalmente às amizades que nutrimos com cristãos e não-cristãos fora dos templos evangélicos. Porque dentro dos templos vivíamos protegidos pela aura da sacralidade e diversos evangélicos recém-convertidos nos consideravam mais santos. Fora dos templos ficamos vulneráveis e grande parte do nosso discurso já não fazia mais sentido. Também abrimos o leque de nossas leituras. Passamos a discordar até daquelas lideranças que considerávamos mais progressistas no meio evangélico, algumas que entrevistamos para o zine impresso. Acreditamos que todos possuem suas verdades e os não-cristãos (da cena grind-punk-hardcore e underground, da comunidade LGBT, de outras religiões, ateus, agnósticos etc) podem ensinar muitas verdades aos cristãos – isso ficou claro no texto A verdade do Evangelho é que ninguém possui a verdade.

Aí vieram e continuam vindo textos com nossas leituras de alguns fatos: Não é preciso ser homofóbico para ser evangélico, Heterofobia?, eu acho que não, Profissão ou doação?: a escolha de todo estudante de teologia, Eu também tô do lado de Jesus, Alguém já disse que a única anomalia é a incapacidade de amar, Destruindo Deus com o terremoto do Haiti, Nem tudo está perdido, Mantenhamos a chama acesa!!, Apesar do Piragine muitos evangélicos continuam pensando, É o momento de lutarmos contra as mega-igrejas e o fundamentalismo, entre outros.

Participamos, desde 2008, do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária e, desde 2010, fazemos parte da comissão editorial da revista Espiritualidade Libertária. No texto Um breve balanço das atividades do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária escrevemos a respeito do primeiro ano de atividades deste coletivo. Acreditamos que um dos grandes méritos deste coletivo tem sido a divulgação e discussão de textos. O ano de 2011 é marcado pelo início das publicações de nossas resenhas na revista Novos Diálogos. Esperamos que nossas pesquisas – sobre as culturas de Angola e Moçambique e sobre o continente africano de uma forma geral – possam entrar gradativamente neste blog e produzir novas mudanças na nossa visão de mundo. Queremos que a contaminação continue!!

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