
A Última Estação (título original: The Last Station), 2010 (Alemanha, Inglaterra), direção: Michael Hoffman, elenco: Helen Mirren, Christopher Plummer, Paul Giamatti, James McAvoy, entre outros. Duração: 112 minutos.
Nos últimos anos tivemos uma enxurrada de publicações das obras de Tolstói (cf. Tolstói, 2005; 2006; 2007a; 2007b; 2007c; 2009a; 2009b; 2009c; 2010a; 2010b; 2010c; 2010d; 2010e; 2011a; 2011b; entre outros), sendo que a maioria das traduções indicadas foi feita diretamente do russo.
Liev Tolstói (1828-1910) foi um grande romancista russo, internacionalmente conhecido pelos clássicos Guerra e Paz (Tolstói, 2007a) e Anna Karienina (Tolstói, 2009a). Foi rico, um filho da aristocracia, e casou-se com Sófia Sônia Andrêievna Bers (1844-1919), com quem teve 13 filhos. No final de sua vida ele tornou-se pacifista e escreveu textos questionando a autoridade das igrejas, dos governos e a noção de propriedade privada, textos como O reino de Deus está em vós, de 1894, que recentemente recebeu uma nova edição (cf. Tolstói, 2011a). Recentemente foi lançado o livro Os últimos dias de Tolstói (Tolstói, 2011b) que apresenta cartas, discursos e ensaios elaborados entre 1882 e 1910 pelo célebre autor russo. Nas palavras de Tolstói:
As pessoas vivem num luxo absurdo, enriquecendo-se com o trabalho de pobres humilhados e protegendo a própria riqueza com guardas, juízes, sentenças - e o clero, em nome de Cristo, aprova, consagra e abençoa essa vida, apenas aconselhando os ricos a conceder uma pequena parte do que foi roubado àquele de quem continuam roubando (Tolstói apud Lucena, 2011)
Na semana passada assistimos o filme A Última Estação (título original: The Last Station) do diretor Michael Hoffman, que foi baseado em livro homônimo que possui conteúdo similar ao do livro Os últimos dias de Tolstói. O filme gira em torno da discussão sobre os direitos autorais da obra de Tolstói, partindo do ponto de vista de um jovem secretário de Tolstói que se vê no meio da disputa da herança pela mulher do escritor e pelo discípulo Vladimir Grigorievitch Tchertkoff (1854-1936), o segundo acha que o coerente é deixar a obra em domínio público.
O filme mostra, entre outras coisas, as brigas do casal e o desgaste que culmina na tumultuada fuga de Tolstói que resultou na sua morte, em 1910, numa longínqua estação de trem. Não exploraram muito as idéias de Tolstói, mas mostraram que ele era mais lúcido e mais humano do que seus discípulos tolstoianos.
Referências bibliográficas
LUCENA, E. (2011), Tolstói ataca ricos e igreja em textos finais: 'Os últimos dias' apresenta cartas, discursos e ensaios elaborados entre 1882 e 1910 pelo célebre autor russo. In: Folha de São Paulo, 9 de abril de 2011, p. E8.
SCHNAIDERMAN, B. (1983), Leão Tolstói: antiarte e rebeldia. São Paulo: Brasiliense.
TOLSTÓI, L. (1994), O reino de Deus está em vós. Tradução de Celina Portocarrero. 2. ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos.
_____. (2005), Pensamentos Para Uma Vida Feliz. Tradução de Bárbara Heliodora. Rio de Janeiro: Ediouro.
_____. (2006), A Morte De Ivan Ilitch. Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo: Editora 34.
_____. (2007a), Guerra e paz. 4 volumes. Porto Alegre: L&PM.
_____. (2007b), Histórias De Bulka. Tradução de Tatiana Belinky. São Paulo: Editora 34.
_____. (2007c), A Sonata a Kreutzer. Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo: Editora 34.
_____. (2009a), Anna Karienina. Tradução de Rubens Figueiredo. 2. ed. São Paulo: Cosac Naify.
_____. (2009b), Felicidade Conjugal. Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo: Editora 34.
_____. (2009c), Fábulas. Tradução de Ana Maria e Tatiana Mariz. São Paulo: Companhia das Letrinhas.
_____. (2010a), O diabo e outras histórias. Tradução de Beatriz Morabito. 2. ed. São Paulo: Cosac Naify.
_____. (2010b), Padre Sergio. Tradução de Beatriz Morabito. 2. ed. São Paulo: Cosac Naify.
_____. (2010c), Ressurreição. Tradução de Rubens Figueiredo. São Paulo: Cosac Naify.
_____. (2010d), Khadji-Murat. Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo: Cosac Naify.
_____. (2010e), A insubmissão e outros escritos. Organizado e traduzido por Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Ateliê Editorial; Imaginário.
_____. (2011a), O reino de Deus está em vós. Tradução de Celina Portocarrero. Rio de Janeiro: BestBolso.
_____. (2011b), Os últimos dias de Tolstói. Organização de Elena Vassina. São Paulo: Penguin; Companhia das Letras.



4 comentários:
Não deve ter sido muito fácil ser a esposa de Tolstói.
Provavelmente ela teve que se mostrar mais resistente e forte, sobre muitas situações que muitos dos próprios discípulos dele.
Gabi
O filme mostrou, um pouco, o ponto de vista da mulher de Tolstói. E o secretário de Tolstói que se sensibiliza com ela. Mas parece que tentaram harmonizar e dar um final feliz para o filme. E não problematizaram o papel da mulher na sociedade russa. O filme passou a idéia de que Sófia e Tolstói permaneceram casados por 48 anos porque se amavam.
Entendo sobre o que você está falando.Preciso ver o filme. No entanto, vamos convir que se filmes não fossem produzidos nem com a menor sutileza sobre o romantismo da vida, não haveria o porquê de assistí-los. Certos filmes nos mostram um pouco mais sobre a sensibilidade das pessoas,da ocasiões e da vida em si. É bonito pensar que eles se amavam.
Eu tinha feito o comentário pensando isoladamente nas dificuldades do relacionamento com uma pessoa que quer mudar o mundo de forma tão ambiciosa. Isso com certeza deveria ser um reflexo da pessoa que ela era. Provavelmente uma pessoa obstinada.
Gabi
Não foi necessariamente sobre a problemática da mulher russa naquele época, foi simplesmente pela problema em ser esposa de Tolstói.
No final ele fez o que queria fazer, deixou a mulher e morreu de forma talvez, lastimável.
Mas é sim, muito bonito pensar que eles se amavam.
As nossas opiniões idealistas podem permear praticamente em todas nossas opiniões e impressões sobre o que vemos e vivemos.
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